por Luiz Fujita Jr.

A cidade de Komaki, ao norte do Japão, recebe, anualmente, um evento, no mínimo, bizarro - pelo menos para os padrões ocidentais. Todo mês de março, a comunidade comemora o Hounen Matsuri, Festival da Prosperidade e da Fertilidade (ou, como é popularmente chamado, Festival do Pênis).
Durante a festa, que celebra a fertilidade tanto dos seres quanto da terra, o povo carrega um enorme pênis entre um santuário e outro. O, digamos, objeto de culto, feito de madeira e que tem 2,5 m e pesa 280 kg, é transportado por homens de 42 anos, idade considerada crítica pelos devotos.
Ao depositarem o pênis de madeira no sepulcro Tagata Shinto, os homens acreditam receber proteção. O festival é celebrado num templo de 1500 anos, onde Takeinadane-no-mikoto, a deusa local da fertilidade, é homenageada.
Também são famosos os alimentos no formato do órgão sexual masculino degustados durante a festa. Entre os mais comercializados estão as salsichas envoltas em pães, que simbolizam a vagina, e diversos tipos de chocolate - todos com a forma de um pênis, é claro!
por Luiz Fujita Jr.

A moda, definitivamente, pegou – aliás, grudou! Embora você corra pouquíssimos riscos de flagrar um japonês usando os ‘enfeites’ durante o expediente – na terra de Akio Morita o uso de barbas e bigodes não é bem visto; o profissional deve manter o rosto sempre ‘limpo’.
Para dar mais opção aos japoneses, uma empresa chamada Propia resolveu esse problema: barbas e bigodes falsos, para serem usados ao cair da tarde. E o resultado (como acontece com todo produto que detém tecnologia oriental) é simplesmente perfeito. Daí o enorme sucesso!
Em poucos minutos, o rapazola fica como este aí da foto acima. O kit de barba ou bigodes falso (em japonês, tsuke hige) custa cerca de US$ 30 e a aplicação é bem fácil, pode ser feita no conforto do lar.
Para os mais exigentes – e endinheirados – há em Tóquio e adjacências salões especializados na colocação de barbas e bigodes falsos, com direito a catálogo com modelos, cores, tamanhos, texturas etc. É mais uma peripécia japonesa que promete dar a volta ao mundo… será que chega por aqui?
por Luiz Fujita Jr.
Gosto não se discute. Que o diga a sociedade japonesa… os hábitos alimentares nipônicos causam estranheza aos povos do Ocidente – assim como muitos dos nossos também levam os japoneses a pensar sobre a sanidade de boa parte do globo.
Mas tudo tem limite… ou não! Uma das bebidas mais pedidas nos restaurantes e lanchonetes do Japão (um sucesso de público que nem mesmo a Pepsi poderia imaginar) é uma tal Ice Cucumber – lançado no ano passado e que vem numa garrafa com design ‘muderno’, bem ao gosto das chamadas novas gerações.
O leitor que conhece o idioma de Shakespeare já deve ter percebido o tamanho da encrenca: cucumber está para o inglês como pepino está para o português.Pois é… os japoneses adoram pepino. Não importa a receita, há sempre lugar para um ‘saboroso’ cucumber. Mas daí a fazer refrigerante de pepino parece mesmo coisa de maluco.
Enfim, quem provou diz que é até legalzinho… Principalmente por causa da sensação de gelo na garganta (o Ice do nome). Um amigo que acaba de voltar de Tóquio jura de pés juntos que beber o Ice Cucumber é como tomar um copo de Halls.
E você, internauta, se habilita?
por Lia Hama
A imagem que elas passam é a de bichinhos de pelúcia ambulantes vagando pelas ruas de Tóquio. São as kigurumins, adolescentes cuja diversão é passear em bandos pelos bairros de Shibuya e de Harajuku vestidas com pijamas de bichinhos e de personagens de desenhos animados infantis. Ursinho Pooh, Pikachu (do Pokemóns) e Stitch (de Lilo & Stitch) são alguns dos temas preferidos das kigurumins, assim como gatos, vacas, cachorros e pandas. Essa dupla aí da foto ao lado eu encontrei perto da saída do metrô de Harajuku, a meca da moda jovem na capital japonesa, local que reúne multidões de adolescentes fantasiados nos finais de semana.
Para combinar com a indumentária para dormir, as kigurumins usam pantufas decoradas com motivos como Hello Kitty ou My Melody e saem confortavelmente vestidas pelas ruas, promovendo verdadeiras festas do pijama. Feitos de materiais macios, como o plush, esses pijamas são vendidos nas seções de moda infantil ou de fantasia nas lojas de departamento japonesas. Dizem que, por baixo da peça principal, elas usam biquínis – o que é bastante compreensível, dado que essas roupas são feitas normalmente com tecidos que esquentam muito.
por Luiz Fujita Jr.

Acredite, é isso mesmo! Girar canetas entre os dedos das mãos é uma arte… aliás, mais que isso, é mania nacional no Japão. Tem até campeonato. Eles chamam o, digamos, esporte, de pen spinning e existem diversos fabricantes de canetas que desenvolveram modelos especialmente para serem girados na mão.
No último mês de março, o estudante Ryuki Omura (esse da foto aí ao lado), de 16 anos, venceu o torneio japonês de pen spinning com alguns truques inacreditáveis. O garoto parecia possuído pelo espírito do Grande Houdini. E levou pra casa, além do troféu, a garantia da celebridade instantânea que só o You Tube pode proporcionar nos dias atuais.
A foto que ilustra este post é só uma mísera demonstração do que os japoneses são capazes de fazer com uma caneta na mão e doses cavalares de ócio. A brincadeira corrente na Internet é que já tem gente defendendo a inclusão do pen spinning nas próximas Olimpíadas. Levando-se em consideração que badminton é esporte olímpico… tudo é possível!
por Lia Hama

O Japão ficou famoso no mundo inteiro por ter inventado o walkman, o karaokê e o PlayStation, entre tantos outros produtos de tecnologia. Mas o país também é a terra natal de um movimento que rema na direção contrária à da sociedade capitalista e sua obsessão pelo consumo e pela utilidade: o chindogu, ou a arte de inventar objetos do dia-a-dia que não servem para (quase) nada. Trata-se de um movimento liderado por Kenji Kawakami, espécie de “Professor Pardal” japonês, que tem mais de 10 mil seguidores em todo o mundo.

Aos 52 anos, este ex-ativista de esquerda, do tipo que lançava coquetéis molotov contra a polícia nos anos 70, prega sua revolução contra o capitalismo por meio de suas invenções sem qualquer utilidade prática ou valor comercial. Para ser um chindogu, o objeto precisa seguir uma lista de dez mandamentos, entre eles o de não poder ser patenteado ou colocado à venda.
Entre suas criações mais absurdas está um chapéu para pessoas que têm alergia: trata-se de um suporte de papel higiênico para pendurar na cabeça que permite ao usuário, a qualquer momento, assoar o nariz. Funcionar, funciona, mas… Quem tem coragem de usá-lo? “Você até pode utilizar um chindogu, mas não usa porque ficaria com vergonha”, explica o inventor maluco.
Veja alguns maravilhosos exemplos de chindogu:
MACACÃO QUE LIMPA O PISO
Enquanto o bebê engatinha e arrisca seus primeiros passos, ele dá uma ajuda na faxina da casa.
POSTE DE LUZ PORTÁTIL
Para as mulheres caminharem pelas ruas à noite com segurança.
MESA PARA FAZER ABDOMINAL
Com esse chindogu, a pessoa malha enquanto almoça ou toma o café-da-manhã. Super-prático!
HASHI COM VENTILADOR
Para esfriar o macarrão (udon) e ajudar o comensal a não perder o fôlego…
por Luiz Fujita Jr.
Que tal se refrescar com uma bebida sabor “enguia”? Pois, acredite, esta é a nova moda no Japão entre marmanjos de todas as idades.
Batizada de “Unagi Nobori”, algo como “Enguia Crescente”, ela é feita a partir dos estranhos peixes de água doce, cuja temporada de pesca está oficialmente aberta.
O principal público-alvo da Japan Tobacco, empresa que criou o refrigerante, são os adultos entre 25 e 35 anos, mas as supostas propriedades afrodisíacas do peixe – que se parece com uma cobra – estão levando muitos adolescentes e senhores aos refrigeradores dos supermercados.
A bebida, gaseificada e de coloração amarela, contém extratos da cabeça e dos ossos da enguia. E o calor japonês parece estar ajudando as vendas. Já está difícil encontrar a enguia enlatada nas lojas…
E você, internauta, vai encarar?
por Lia Hama
Um dos programas mais inusitados que fiz em Tóquio foi visitar um maid café. Trata-se de um café onde as garçonetes se vestem como maids (empregadas domésticas da Europa do século 19) ou como personagens de desenhos animados japoneses. O que eu fui, o Café Mailish, fica no bairro de Akihabara, a meca dos otakus – fãs fervorosos de mangás, animês e games que fazem deste culto um estilo de vida. Além de otakus em geral, o local também atrai um público de turistas interessados em bisbilhotar o mundo dos… otakus. Tirar fotos, no entanto, é proibido no local. Na saída do metrô de Akihabara, uma multidão de maids com vestidos e aventais engomados e cheios de babados distribui folhetos de propaganda desses locais.
Nos maid cafés, o otaku-cliente é chamado de “honorável senhor” pela gentil e submissa atendente, que costuma ser bastante informada sobre o mundo dos mangás e dos animês. Afinal, trata-se do principal assunto das conversas entre eles.
Os clientes pagam preços bem acima do que são cobrados em outros estabelecimentos pelos cafés, chás, bolos e tortas que são vendidos ali. Essa “taxa extra”, é claro, inclui o atendimento pelas sempre sorridentes garçonetes vestidas como as personagens favoritas de seus clientes. É a companhia dos sonhos dos otakus, pena que dure apenas o tempo de consumir uma xícara de café e um pedaço de bolo. Mais recentemente, uma versão para mulheres dos maid cafés foi aberta em Tóquio: o butler café, no qual mordomos vestidos com smoking e luvas brancas servem as clientes, a quem chamam de “madames” ou “princesas”. O primeiro estabelecimento do gênero se chama Swallowtail e fica no bairro de Ikebukuro, em Tóquio.
O site do Maid Café é http://www.mailish.jp/
por Lia Hama
Preste atenção: em breve um verdadeiro tsunami de produções de Hollywood baseadas em desenhos animados japoneses vai invadir as telas dos cinemas em todo o mundo. O fenômeno já começou com “Speed Racer”, filme dos irmãos Andy e Larry Wachowski que é uma adaptação do mangá e do desenho animado criados na década de 60 por Tatsuo Yoshida, sobre um jovem piloto de corridas de automóveis que descobre que os resultados das competições são uma farsa. Conhecidos fãs de animês, os irmãos Wachowski já declararam inúmeras vezes que a trilogia “Matrix”, dirigida por eles, foi inspirada no desenho animado “Ghost in the Shell” (1995), de Mamoru Oshii. Esse thriller policial futurístico, que mistura ciborgues, corpos que são transportados por linhas telefônicas e muita arte marcial, se transformou em um clássico do gênero e criou legiões de fãs espalhados por todo o planeta. Um deles é Steven Spielberg. Em abril deste ano, a Dreamworks, do diretor de “ET”, anunciou que comprou os direitos para fazer um filme de ação em 3D baseado em “Ghost in the Shell”. “É uma das minhas histórias favoritas”, declarou Spielberg.
O cineasta James Cameron, diretor de “Titanic”, também já divulgou que está fazendo o filme “Battle Angel”, baseado no mangá “Gunnm”, de Yukito Kishiro, sobre uma ciborgue adotada por um cientista. O ator Tobey Maguire, o “Homem Aranha”, fará o mesmo com “Robotech”, série de animê dos anos 80. O filme mais aguardado de todos, no entanto, é “Akira”, baseado na animação de Katsuhiro Otomo. Para quem não sabe, “Akira” foi o responsável por uma verdadeira revolução nos desenhos animados japoneses no final dos anos 80, ao chamar a atenção do mundo para o que é produzido em seu país. Lançado em 1988, essa ficção científica de ares sombrios atraiu platéias nos EUA, na Europa, na Ásia e na América Latina e abriu caminho para outros animês de sucesso internacional, como “Ghost in the Shell” e “Neon Genesis Evangelion”. Após mais de 20 anos do lançamento do desenho animado, “Akira” vai ser transformado em filme produzido por Leonardo DiCaprio. Há quem diga que o próprio DiCaprio irá atuar no filme, mas isso ainda é um boato não confirmado. O longa-metragem está previsto para chegar às telas do cinema no ano que vem.
por Lia Hama
O artista plástico japonês mais famoso da atualidade – e também o mais polêmico de todos - se chama Takashi Murakami. Uma obra do artista chega a ser vendida por US$ 1,5 milhão no mercado americano. Conhecido como o “Andy Warhol do Japão”, por defender a fusão da cultura pop com as artes plásticas, Murakami atraiu legiões de admiradores no mundo todo, ao mesmo tempo em que seu trabalho é criticado pelo caráter tido como puramente comercial. Além de pinturas e esculturas, os personagens de Murakami estão por toda a parte: em camisetas, bichinhos de pelúcia, cartões-postais, pôsteres, canecas para chá, chaveiros e até mesmo em bolsas da Louis Vuitton.
Em 2003, Murakami foi convidado pela Louis Vuitton para desenvolver o logotipo colorido que estampa as bolsas da marca francesa. Ele também fez um desenho animado para promover os produtos. No animê, uma garota é engolida por uma espécie de urso gigante e introduzida ao “maravilhoso mundo da Louis Vuitton”, formado por bichinhos e flores do universo de Murakami. Uma grande retrospectiva da obra do artista foi feita entre outubro de 2007 e fevereiro deste ano no Museum of Contemporary Art, em Los Angeles, nos EUA. O nome da exposição era “Copyright Murakami”. Numa clara provocação a quem o acusa de ser “comercial demais”, Murakami montou uma loja da Louis Vuitton dentro da exposição, onde eram vendidos os produtos desse ícone do consumo mundial - para não deixar mais dúvidas sobre qual o propósito de sua arte.
O site da empresa de Murakami é o:
http://english.kaikaikiki.co.jp/